Nick, por Revista Pâncreas

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Nick, por Revista Pâncreas

De Revista Pâncreas – Olho: Desde que descobrimos que divulgar aquilo que fazemos pode ser uma coisa ótima e que pode nos trazer bons frutos nunca mais paramos.


Bunys, Combo, Nick e Bobi 2010

O homem é um animal comunicativo por natureza. Tudo começou nos tempos das cavernas, com os homens pintando as paredes e depois disso a vida nunca mais foi à mesma. O que acontece é que muitas vezes o que deveria trazer só alegria pode nos trazer auguras e tristezas, principalmente quando se trata de manifestações de nosso subjetivo, o que costumamos chamar comumente de arte.

Algumas manifestações artísticas são mais conhecidas pelos problemas que carregam consigo do que pela beleza e técnica de quem a realiza, assim é com o grafitti e com a pichação também, já que uma se originou da outra e vice-versa. Desde que apareceu, em meados da década de 1950 como uma forma de comunicação e competição entre gangues norte- americanas, o grafitti e a pichação ainda sofrem com a discriminação por causa de sua origem. A despeito disso, há todo um movimento cheio de artistas que fazem grafitti,picham, ilustram, desenham, fazem stêncil, lambe-lambe e muitas outras formas de arte em que a base, prioritariamente, é a parede.

Um desses artistas é Nick, que começou a pintar em 1997 e atualmente continua pintando. Ele conversou com nossa revista para esclarecer alguns preconceitos e nos dar uma visão de quem faz o grafitti parte de sua vida, confiram abaixo.

Revista Pâncreas: Faça uma auto-apresentação e de seu trabalho.

Nick: Bom… Eu comecei a fazer graffiti em 1997 com alguns amigos do bairro, depois conheci alguns escritores do ABC e com eles formei uma crew em 2002, chamada “Todo Kanto” e hoje apesar de ainda fazer parte da cena do graffiti me considero mais ilustrador do que escritor de graffiti, meu foco hoje está em torno da arte em geral e faço dela instrumento pra fazer meu trabalho evoluir.

R.P: Quando e como você decidiu se tornar um grafiteiro?

N.: Eu não gosto muito do termo grafiteiro, porque esse se refere ao trabalhador que entra na mina de carvão pra extrair o minério (sem preconceitos contra os mineradores, mas, eu não sou um!). Quanto a ser escritor de graffiti, eu decidi quando me dei conta da quantidade de cinza que havia na cidade em que moro (São Paulo). Acho o cinza uma cor bonita, mas também acho que é a melhor base pra outras cores, rs.

R.P: As pessoas têm preconceito contra a pichação e o grafitti por serem artes “de marginais”. O que acha desse preconceito?

N.: Eu prefiro o termo “arte marginalizada pela sociedade” ao invés de arte de marginais. Eu não creio e nem busco que um dia 100% das pessoas gostem do que eu faço ou do graffiti em geral. Acho que uma das coisas que nos move a desenhar e a escrever coisas nos muros é justamente a ilegalidade e a contrariedade por parte da sociedade. A sociedade não gosta de graffiti e pichação e eu não gosto de prédios e mais prédios onde antes havia um horizonte, parte da Sociedade reclama da “sujeira” que fazemos e eu não apoio as propagandas da TV assistidas por milhares de zumbis que nada fazem pra mudar aquela manipulação e, creio que assim caminhamos, rs . Eles apontando os dedos e eu tentando apenas fazer o que acho certo. Pessoas só podem consertar outras pessoas quando estão totalmente corretas em si, você conhece alguém 100% correto?

R.P: A sociedade em geral muitas vezes pensa que grafiteiro usa apenas a parede para fazer suas obras, há alguma verdade nisso?

N.: Não, não usamos apenas paredes como suporte: Trens, ônibus, peruas, portas de comércio enfim, Tudo que está do lado de fora, ou seja, a rua é suporte para um escritor de graffiti

R.P: Muitas pessoas querem se tornar grafiteiras e não sabem como, você tem alguma dica para essas pessoas?

N.: Estudar o que já se passou nesse movimento e tentar ao máximo fazer algo diferente do que já existe, de resto é pintar e se divertir, as coisas e as pessoas são efêmeras. Não existe propriedade porque tudo muda e se creio nisso nada me impede de pintar onde quero pintar.


Nick


Nick

Fonte: Revista Pâncreas
Divulgação: http://nick-alive.blogspot.com

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