
Já pensou se tudo o que utilizamos hoje, transcendesse as questões utilitárias ou estéticas? Imagine desde o carro que você dirige até sua camisa de trabalho, irem além do objetivo de servir de condução ou ornamentar sua personalidade.
É justamente neste pensamento que muitos designers tem trabalhado recentemente: ir além. Até porque este movimento não tinha sido muito popular, tampouco cobiçado, pela indústria nas últimas décadas.
Projetar um produto para resistir às tendencias globalizadas com qualquer traço atemporal, é um desafio e tanto! Por isso cada vez mais as empresas tem deixado de lado o produto físico como argumento de projeto e investido mais em produto de experiência que ora ou outra podem assumir formas plásticas, ora podem ser anunciados como serviços ou então ambos os casos.
Quando eu era criança pedi à minha mãe inúmeras vezes para me comprar um Walkman (Sony, claro!), e sempre achei o maior absurdo receber uma pergunta como resposta "Mas pra quê você quer um Walkman?". A resposta era fácil, eu PRECISAVA ouvir música.
Agora, já reparou como é difícil responder perguntas como "Mas para quê você quer um iPad?", "Para quê serve um tênis com Bluetooth?", "Por que você quer um celular tão caro?", "Quem é Android?", onde o cenário transcende o "ouvir música" para atender um consumidor multicanal, digital e mais global? A resposta já vira "Porque eu preciso", "Todo mundo tem" ou o típico "Pô... que saco!", é tanta informação que dá preguiça responder.
Na verdade, deixamos de consumir chips e circuitos para locar uma vida inteira dentro deles. O virtual fornece caminhos e condições para que tudo seja novo, mutável e renovável em pouquíssimo tempo. Tempo que a indústria não conseguiria acompanhar, sem falar nos custos!
Apesar de não podermos ignorar que a obsolescência ainda continua sendo a força motriz para o mercado, temos de ser objetivos e pragmáticos: estar obsoleto, é não estar conectado.
Vamos ser sinceros, você não precisa de um iPhone nova geração, você precisa de uma cueca Wi-Fi.
Não reclame de barriga cheia, porque no fim das contas eu nunca ganhei um Walkman da Sony...