Design Coletivo

Enviado em 23/07/2011 por André Felipe Ynouye

Nunca se ouviu falar tanto em coletividade como agora: é o Fazer Juntos, Torcer Juntos e também o Comprar Juntos. O design de serviços coletivos não é apenas uma disciplina de mercado, será nos próximos anos uma tendência persistente em quase todos os segmentos.

Pensar coletivo não é apenas uma filosofia bonita de interação social, mas sim um movimento que deverá ser obedecido pelos próximos anos para gerir uma nova cultura e hábitos sustentavelmente responsáveis.

A sustentabilidade é uma característica que visa permanência em certo nível e prazos determinados; para um objeto de estudo ser considerado sustentável, é preciso ser:

  • Ecologicamente correto
  • Economicamente viável
  • Socialmente justo
  • Culturalmente aceito

As disciplinas ecológicas e econômicas já são consideradas movimentos essenciais para quaisquer tipos de desenvolvimento de serviço ou produto. No entanto, as discussões sociais e culturais abordam amplas possibilidades que de tão amplas se tornam vagas.

Inserir um processo social e culturalmente aceito, segundo os principios sustentáveis, é uma tarefa dificil não somente pela questão econômica, mas pelo fato de precisar ser  tão genérica quanto aceita coletivamente para se obter resultados específicos nas projeções finais.

É muito comum associar hábitos coletivos com serviços públicos, via de interpretação não lá muito correta. Os serviços públicos visam o uso da coletividade para atender a uma demanda social ao mesmo tempo amenizando os custos operacionais para oferecer uma solução para um problema específico, como os transportes, conjuntos habitacionais, mercadões, etc. Já o movimento coletivo não precisa necessariamente estar ligado às iniciativas públicas, muito pelo contrário, a qualidade coletiva vem sendo objeto de estudo em muitas empresas justamente por unir os princípios sustentáveis com os benefícios de um uso inteligente social, cultural e economicos.

Bons exemplos de iniciativas coletivas pelo mundo já estão chegando ao Brasil. A ilustração mais comum dessa onda é o boom dos sites de compras coletivas, que de tão coletivos estão se tornando publicamente banais. Porém, outros grandes movimentos prometem mudar o modo como nos relacionamos com o que é nosso e o que é de todos, assim como as locadoras de carros que se integrarão aos metrôs e terminais visando complementar a questão do transporte coletivo livre . As moradias coletivas em determinados centros funcionando como moradias-dormitórios. Além de escritórios coletivos como o The Hub em São Paulo e lojas coletivas como a Endossa.

A questão que fica é: estamos nos preparando para entender que o que é nosso, pode ser de todos?