Mais do que uma semana inteira de conteúdo teórico e prático sobre diversas áreas do Design, a Quina do Design foi o produto de um ano de planejamento e trabalho de Ayrton Mendonça e Rodrigo Furtini, donos do espaço dedicado a arte e design no edifício Maletta, no centro de Belo Horizonte. O evento que ocorreu na própria galeria do dia 21 ao dia 28 desse mês, contou com a participação de muita gente que veio se abastecer de cultura e informação. O evento teve o apoio da Lei de Incentivo à Cultura e seu projeto já estava escrito em setembro de 2009, quando foi inscrito para o processo seletivo do governo.
A abertura aconteceu com a exposição Show Us Your Type. Com o tema “Belo Horizonte”, a seleção de pôsteres tipográficos de vários artistas, entre mineiros e estrangeiros, trazia diversas visões da cidade, do olhar mais badalado ao mais poético, que puderam ser conferidos ao som de música e conversa boa. A exposição continuou nas paredes no decorrer da semana, enquando os workshops e palestras aconteciam.
Entra aqui o trabalho de Aída Zambelli, hostess e “pau-para-toda-obra”, organizando filas, recebendo os convidados e imprimindo certificados, além de ajudar Ayrton e Rodrigo com os demais detalhes do evento. Quem chegasse alguns minutos antes do início de alguma das palestras podia ver através do vidro com a plotagem da identidade visual do evento, as pessoas trabalhando, colocando cadeiras e mesas no lugar, montando e desmontando as estruturas para que tudo funcionasse perfeitamente. E realmente funcionou.
Os workshops, de cunho mais prático, ocorreram durante a tarde das 14 às 17 horas. Logo em seguida, após uma pequena pausa, começavam as palestras às 19:30. Os temas aqui, foram dos mais variados, indo das vertentes mais autorais até as práticas mais mercadológicas do design. Os workshops trouxeram a prática de stencil, fotografia, encadernação e serigrafia. Um dos workshops ainda trouxe uma abordagem teórica sobre a construção do chamado Livro de Artista. Enquanto se assistia a uma palestra ainda era possível ver os sinais do aprendizado que acontecia ali à tarde, como as fotografias reveladas esperando secagem ou manchas de tinta na mesa do lado de fora da oficina.
No começo da noite começavam as palestras, com a capacidade limitada para 50 pessoas por ordem de chegada. Foi mais de um o dia em que essa capacidade foi excedida, e mais pessoas assistiram os palestrantes em pé no fundo ou sentados no corredor entre as cadeiras.
A palestra de segunda-feira foi sobre tipografia, onde Hugo Werner trazia uma visão da produção do início do século XX e ainda alguns trabalhos próprios. Na terça-feira, os sócios da Lab Design, Mariana Mysk e Alencar Ferreira, contaram um pouco de seu surgimento, o processo metodológico com que trabalham e uma exibição do portfólio com comentários sobre o desenvolvimento dos projetos. Com o decorrer dos anos, a realização de trabalhos autorais foi transferida para projetos pessoais dos membros do escritório quando ele se tornou comercial, mas sempre com o cuidado de trazer algum diferencial criativo nos trabalhos desenvolvidos. A palestra de quarta trouxe Tyler Johnson, designer americano contando sua experiência de ser um designer estrangeiro atuando no Brasil. Nessa palestra foi possível ver a visão de alguém de fora sobre o nosso país, além de vários trabalhos do Nomad Ink, estúdio de Tyler e sua esposa (e sócia) Flavia Sanches, que traz um conceito de design multicultural itinerante. Quint-feira foi a vez de Allan Szacher contar a história de como surgiu a Zupi Design, e em seguida a revista e os demais eventos derivados da mente sonhadora deste designer. É interessante nesse ponto fazer um paralelo da Lab com a Zupi: enquanto os donos da primeira partiram para satisfazer suas necessidades autorais em trabalhos desvinculados da empresa, o segundo usou seu escritório para tornar possíveis seus projetos pessoais. Na sexta-feira a palestra tratava do design de superfície nas ruas e Cássia Macieira e Juliana Pontes falaram um pouco sobre o livro que organizaram sobre o tema e discutiram o uso da arte de rua como referência para projetos.
Para fechar a semana, no sábado, uma festa de encerramento com direito ao lançamento da segunda edição da revista CODE, projeto do qual Ayrton e Rodrigo fazem parte. Ao som da música do DJ Ed, quem participou do evento se despediu da semana cheia de conteúdo em grande estilo.
Mas esse não é o fim. Ayrton e Rodrigo planejam levar o projeto adiante e tentar mais uma vez a Lei de Incentivo, e com um possível apoio de empresas e universidades, realizar um evento com uma estrutura maior que possibilite a participação de mais pessoas. Agora é esperar e torcer para que esse projeto tão interessante tenha mais edições.
Mais fotos do evento, além de novas programações da Quina, podem ser encontradas no Flickr da galeria: http://www.flickr.com/photos/quinagaleria