Ciclo de Capacitação para Designers - CMD

Enviado em 03/09/2010 por Gabriel Henrique de Oliveira

Não existe fórmula pronta para se explicar o que é, e como funciona, o Design Estratégico - Foi essa uma das primeiras falas de Camilo Belchior, mestrando em Design pela UEMG, ao iniciar sua palestra sobre o assunto, ocorrida na quarta-feira 18 de agosto, como a primeira das palestras do Ciclo de Capacitação para Designers, promovido pelo Centro Minas Design.

Belchior propôs uma conversa com a exposição de alguns de seus trabalhos para que pudéssemos perceber caminhos que podem nos levar a esse pensamento estratégico no Design e quem assistia a palestra foi incitado a participar com dúvidas ou comentários. Depois da primeira hora de palestras, as perguntas antes feitas por Camilo para provocar a participação dos ouvintes não eram mais necessárias: o discurso do palestrante se mostrou instigante o suficiente para não só manter a atenção fixa de quem participava, mas também estimular a discussão do que era falado ali.

Na primeira etapa, o tema girou em torno do significado do design e a sua evolução ao longo da história, desde o homem das cavernas. Partindo de uma cena do filme “2001, uma odisséia no espaço” de Stanley Kubrick, onde assistimos a um homem pré-histórico quebrando vários ossos com um osso maior e descobrindo uma nova funcionalidade para o objeto, passamos por várias referências. Com o homem vitruviano, vieram ao assunto o renascentismo e Da Vinci, trazendo consigo as questões do ser humano como centro das atenções, a  multidisciplinaridade e a sustentabilidade, fatores associados também à atividade do designer. Em seguida a Bauhaus e a escola de Ulm iniciaram uma breve discussão sobre o racionalismo funcional. Depois de um parêntesis aberto para apontar o caráter atemporal dos produtos da Braun, que possuem projetos da época dessas escolas, chegamos à Apple e como ela mudou o significado de ouvir música. A conclusão a que chegamos é de que não basta criar novos produtos: o consumidor contemporâneo quer experimentar novas emoções. A partir desse raciocínio começamos a falar de estratégia.

Após uma breve pausa para o almoço, Camilo Belchior colocou em pauta alguns conceitos como o Design Thinking, forma não linear de desenvolvimento metodológico própria do designer, e a Inovação Aberta, que traz a idéia de juntar expertises diferentes sob um mesmo foco para resolver um problema. Em seguida fomos apresentados à metodologia de trabalho de Belchior, que ele próprio chama de “Rizoma”. A referência imagética a um emaranhado de raízes serve para descrever um esquema onde o conceito se posiciona no centro e os projetos e ações derivadas se espalham ao seu redor, interligando-se em uma rede onde um influencia no outro. O conceito, descrito como o conjunto das ideias propostas por uma empresa que a tornam única, entra como peça chave: sem ele nada funciona. Os projetos e ações são consequências, fazendo com que esse conceito seja percebido pelos usuários do produto. A sua rede metodológica é construída à medida que o processo se desenvolve: projetos geram ações que podem demandar novas ações ou novos projetos. Os fatores que influenciam essa construção (e também a ordem de execução) são o orçamento, os objetivos da empresa e as situações específicas.

Percebemos como essa metodologia funciona quando vieram os cases. Ao todo foram 5 empresas onde Camilo atuou em diversas situações: a Interpam e a Templuz, empresas de iluminação, o Café Fino Grão e a Office Brasil, empresa de móveis para escritório. Camilo atua sozinho e não tem funcionários, mas forma uma equipe diferente em cada empresa que realiza um trabalho, compostas por funcionários da mesma. Após a implementação de soluções iniciais, ele sai de cena e deixa sua equipe conduzir o processo. Em todos os cases apresentados, por mais diferente que fossem as situações, a solução sempre se adequava à realidade destacada no início da palestra: todos os projetos e ações caminhavam no sentido de criar algum um vínculo emocional com o usuário final dos produtos dessas empresas.

Para finalizar, um novo caminho para o design apontado por Camilo: a chamada “ressignificação”. Partindo da idéia de que design é dar significado, a atribuição de novos significados a coisas já existentes por meio dos projetos pode cumprir não só a tarefa de emocionar quem consome um produto, mas também atender ao desafio da crescente preocupação com a sustentabilidade. É esse inclusive o tema do projeto de mestrado de Belchior: o design de móveis feitos de compensado, de modo que a forma trabalhada nesse material nem um pouco nobre o torne algo que as pessoas queiram em suas casas.

O Ciclo de Capacitação para Designers continua até o dia 01 de dezembro e as palestras ocorrem no CETEC, no Centro Minas Design e ainda podem ser feitas inscrições.

A programação completa pode ser encontrada no blog do CMD.